31 de out de 2011

A Rosa Azul

imagem reprodução
















Havia uma borboleta voando por um Jardim
procurando uma rosa com as pétalas azuis
Encontrou um cravo branco, e curiosa perguntou...

 
Olá meu amigo cravo, porque você esta triste?
Onde esta a linda flor? Conte-me o aconteceu
O cravo muito abalado, foi assim que respondeu

Pouse aqui neste canteiro, amiga vou te contar...:

Ontem ela estava linda, as gotas do orvalho
em suas pétalas, realçava a cor azul, e sua beleza

refletia sob o brilho das estrelas e o alvo lençol
do luar...

Um andante que passava fitou-a extasiado.
Meu Deus! Como é linda essa flor. Arrancou-a
com cuidado, desviando dos espinhos para não
se ferir nem sentir dor...

Ela muito assustada olhou-me com agonia
Pois no intimo sabia, que arrancada morreria
e sem vida murcharia, perderia seu encanto...

Ferida, sozinha, em pranto, só uma rosa seca
jogada ao vento, rolando a esmo, ao léu ou
soprada ao relento, voando sem rumo ou quem
sabe esquecida guardada num livro...

Mas o que ela não sabia é que o moço tinha um
plano, plantaria em seu jardim, junto aos
lírios, cravos, acácias e alecrins...

Reinaria soberana, onde amantes, loucos e
apaixonados que por ali passar, sentirão uma
emanação agradável de perfume o ar...

Ao saber desse detalhe, começou a se acalmar
Sentiu saudades do cravo, que lhe dizia amar
Lembrou-se da borboleta que voava pelos campos,
pousando de flor em flor, curiosa como ela era,

sabia que qualquer dia, por ali iria passar


Mandar-lhe-ia um recado, mas ou menos assim: Meu
querido cravo branco, não chores a minha ausência
no jardim que tu ficaste, encontraras outro amor
Mesmo que nunca me esqueças, serás feliz com
uma bela flor.

 
Autora: Leila Mustafa Cury

21 de out de 2011

Juntando os cacos

















Refugio-me em meu silêncio
Sinto-me impotente em revelar a alguém,
o que me angustia, mas que aos poucos, vão
se revelando, nessas tímidas linhas que se
seguem...

  
Queria ir ao seu encontro, mas como saber
se você vai estar a minha espera...Eu quase sei,
quase percebo, mas não ouso perguntar...


Decisões que me esperam e me sufocam, não sei
ao certo o que faço, só sei que algo se quebrou,
resta saber, quando se quebrou, ou se nunca foi
Inteiro...

Hesito em olhar melhor para o ontem; receio rever
a desconstrução do que talvez já estivesse destruído,
verei que na ânsia louca de te ver voltar, tropecei
nos próprios cacos, que há tempos venho tentando
Juntar...

Estou despida de mim mesma, meu coração esta
exposto e sem labirintos, escancarado e sem medo
de mostrar essa ternura boba que nele habita.
Posso ser leve como uma brisa, mas quando ferida,  
posso ser forte como uma ventania...

Como deixar de escrever versos que podem causar
estranheza, indiferença e até tolos julgamentos?
Não me importo em desnudar minha alma...

Não amordaçarei a minha saudade. É inútil
silenciar minhas emoções. Não vou por amarras
em meu peito e vendas em meus olhos...

Mas pelo cansaço que hoje sinto, só quero sentar-me 

na relva e ficar observando apenas o acariciar do vento, 
nas pétalas de uma flor.
Amanhã, quem sabe? Conseguirei juntar meus cacos.


Autora: Leila Mustafa Cury