23 de abr de 2012

Neruda pela Leila

Encontrei um post nos rascunhos da mamãe e não posso deixar de publicar.


Acontece


Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.


Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.


Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.


Que entrevista espaçosa e especial!


(Últimos Poemas)
Pablo Neruda

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