21 de jul. de 2011

Logos - Antero de Quental

Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mim
E, o que é mais, dentro de mim — que me rodeias
Com um nimbo de afectos e de idéias,
Que são o meu princípio, meio e fim...

Que estranho ser és tu (se és ser) que assim
Me arrebatas contigo e me passeias
Em regiões inominadas, cheias
De encanto e de pavor... de não e sim...

És um reflexo apenas da minha alma,
E em vez de te encarar com fronte calma,
Sobresalto-me ao ver-te, e tremo e exoro-te...

Falo-te, calas... calo, e vens atento...
És um pai, um irmão, e é um tormento
Ter-te a meu lado... és um tirano, e adoro-te!

Antero de Quental, in "Sonetos"

19 de jul. de 2011

25 maneiras de usar lenços

bons dias!

Com muita honra, fui convidada pelas proprietárias deste blog para colaborar com assuntos de interesse geral...espero que curtam!

A primeira dica é um vídeo super bem bolado que ensina 25 formas de amarrar nossas pashminas!

Bisous!

Karla



17 de jul. de 2011

Compreender tudo o que for compreensível



imagem reprodução


"Mas o que vê e ouve ou lê nada mais lhe traz senão matéria-prima de pensamento, já livre de muita impureza de minério bruto, porquanto antes do seu outros pensamentos o pensaram; mas, por o pensarem, alguma outra impureza lhe terão juntado. Nunca se precipite, pois, a aderir; não se deixe levar por nenhum sentimento, exceto o do amor de entender, de ver o mais possível claro dentro e fora de si; critique tudo o que receba e não deixe que nada se deposite no seu espírito senão pela peneira da crítica, pelo critério da coerência, pela concordância dos fatos; acredite fundamentalmente na dúvida construtiva e daí parta para certezas que nunca deixe de ver como provisórias, exceto uma, a de que é capaz de compreender tudo o que for compreensível; ao resto porá de lado até que o seja, até que possa pôr nos pratos da sua balancinha de razão. A tudo pese. Pense."
Agostinho da Silva in Textos e Ensaios Filosóficos

14 de jul. de 2011

Algemas


Me sinto algemado pelos laços da tristeza,
pudera alguém ver-me a alma, e esta
se assustaria ao ver a lama que se instala 

Sou presa fácil para predadores, sem forças
para seguir, sem condições de encontrar saídas,
sem perspectivas do amanha

Qual redoma foi criada? Que cordão eu não cortei?
Medo, solidão, talvez! Transformar-me ia senão
em nada, nada é o que espero.

Outrora a passos largos decididos, cabeça erguida,
peito inflado, paixão pela vida
Hoje, algemas, tristezas, culpas

Depois de perdas e danos, algo lindo vislumbrei,
Um par de olhos verdes, que um dia magoei
Esse brilho ofuscante me guiou por instante

Até a fresta da loucura, onde estava a lucidez
Ela é tudo que tenho e não a quero perder
Foi nela, a lucidez, que com força me agarrei

Com a luz daqueles olhos, um atalho eu encontrei
fiz o caminho de volta, na mala as poucas roupas,
mas na mente a esperança de parar com essas andanças

Despir-me da arrogância, refugiar-me em seus braços
Sentir seu menino amado, meu coração abrandar
O silêncio não é o que cala, mas sim o que silencia

Pra finalmente dizer! Isto sim se chama paz.


Autora: Leila Mustafa Cury





 


Reflexão

"Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Você quer ser feliz para sempre? Perdoe".

 Teilhard de Chardin

12 de jul. de 2011

Reflexão...

Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual. Somos seres espirituais passando por uma experiência humana. 
 Teilhard de Chardin

8 de jul. de 2011

Encontro de Almas

imagem reprodução
Muito tempo eu o esperei, muito também
eu sonhei, sabia que quando o visse, logo o reconheceria,
pois metade da minha alma com ele permanecia

Ele chegou de repente, tão seguro e sedutor, se aproximou devagar e
meu coração disparou, quando as almas se juntaram, seguiu-se um diálogo encantador

Minha alma disse a sua, até que enfim você me achou, dizendo que a algum tempo, andava em uma cidade, em uma rua qualquer, sentiu uma brisa suave e um perfume tentador

Como nada aconteceu...Pensou, não foi dessa vez!
Sentiu saudades de alguém que nem sequer conhecera

Sua alma disse a minha, junto a ele fui feliz, ouvia belas canções, e
até de um tal Neruda alguns versos decorei, de palácios a
barracos, vivi grandes aventuras, sentia imensa ternura, por alguém tão sonhador

Mas vou logo te avisando, não pense que vai ser fácil, ele é como um beija-flor, voa livre pelos campos, beija a todas no caminho, e não se prende a nenhuma flor

Refletindo o que me disse, minha vida é tão vazia, que vale a pena tentar, quero ouvir lindos versos, e cantar belas canções, quero viver em barracos, mas viver um grande amor


Autora: Leila Mustafa Cury